O risco de um paciente de transplante de coração ter câncer de pele é pelo menos 4x maior do que uma pessoa que não tenha passado por esse tipo de cirurgia, aponta um estudo americano.
Em casos onde há mais fatores negativos envolvidos, como possuir pele clara e consumir cigarros, o risco pode ser até 30x maior.
As conclusões saíram de um levantamento que acompanhou a saúde de 6.271 transplantados em 32 centros médicos nos EUA. Dez anos após terem passado pela operação 15% dos pacientes haviam exibido pelo menos um tumor de pele.
A pesquisa, liderada pelo dermatologista Murad Alam, da Universidade Northwestern, de Chicago, confirmou uma tendência já observada em estudos menores. O estímulo ao surgimento de tumores ocorre por causa do uso de drogas imunossupressoras, que ajudam os médicos a combaterem a rejeição do órgão implantado pelo organismo do paciente.
- O problema é que o sistema imune não combate apenas infecções, mas também as colônias de células malignas (tumorais). Então, é de se esperar que drogas imunossupressoras aumentem o risco de câncer, porém, como leucemias, linfomas e câncer de pele, o risco aumenta mais do que o esperado. Não sabemos com clareza por quê – explica Alam.
Mesmo sem responder a essa questão, o novo estudo conseguiu dar credibilidade à ligação estabelecida entre imunossupressores e câncer de pele. Segundo Alam, o perfil dos pacientes traçados no novo trabalho deve ajudar os médicos a administrar melhor o tratamento de pacientes que passam pelo transplante, combatendo a rejeição de órgão sem piorar o câncer. Em caso extremos, médicos poderiam reduzir a dose de imunossupressores, algo raramente feito.
